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A parte 1 do conto Do Pó ao Pó pode ser lida na íntegra AQUI
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Aquele episódio marcou o fim da nossa infância. Sabíamos que não éramos mais os mesmos. Um ano após aquela desgraça aconteceu algo ainda mais terrível. Meus pais foram encontrados dilacerados. Seus corpos espalhados aos pedaços por todos os cantos. Eu ouvi a notícia ainda na casa de Mark. Saí então correndo, fugido da casa do Mark, no meio da noite. Meu coração parecia que ia pular numa mistura de choro e apreensão.
Quando cheguei, encontrei alguns homens entrando e saindo da casa. Um deles conduzia um velho carrinho de mão. Outro vomitava ao lado da entrada. Era um lar muito simples, sendo um pouco melhor que uma pequena choupana. Os homens pareciam absortos com outras coisas, enquanto eu, com meu tamanho diminuto, passei tranquilamente entre eles. Quando entrei na pequena casa de meus pais algo se remexeu no meu estômago, alcançando rapidamente a minha garganta.
Um cheiro nauseabundo exalava de dentro da casa. Fiquei firme e não vomitei. Escancarei a porta e me amaldiçoei por minha estupidez. Aquela não era mais a minha casa. Era apenas um departamento do inferno. Vi pedaços de membros fora dos seus lugares, retorcidos, saindo de lugares improváveis em um corpo que mais lembrava um monte de carne putrefata atirada ao chão. O teto estava manchado com uma mistura de sangue, fezes e bile, prováveis responsáveis pelo cheiro do local. Existiam símbolos estranhos pintados com sangue na parede, bem como figuras grotescas em situação de sodomia. Agora o inferno se apresentava para mim pela segunda vez
Dei alguns passos para trás e vomitei. Eu chorava e não conseguia mais reter meus líquidos estomacais. De repente fui arrastado dali. O choro compulsivo impedia que eu enxergasse o que ocorria. Acabei por desmaiar.
Acordei novamente na casa dos Hagen. Eu estava no quarto de Lily, deitado em sua cama. Seus lençóis tinha cheiro de margaridas e eu enxergava outras flores na sob a penteadeira. Lily estava do meu lado segurando um pano úmido sobre a minha testa:
– Oi Adi.... Você está melhor?
– Sim... Obrigado Lily.
O cheiro dela era doce. Seus cabelos longos tocavam minha face úmida pelas lágrimas. Ela segurava minha mão, enquanto seu corpo se debruçava sobre o meu. O tecido fino de sua camisola revelava formas que eu nunca tinha percebido antes. Senti uma espécie de comichão, algo diferente. Olhei para região dos meus quadris e percebi que meu corpo começou a agir, se mover, sem que eu quisesse. Fiquei assustado.
– Lily, eu quero ficar sozinho um pouco, tá?
– Calma, Adi.
– Por favor... Lily.
Ela me olhou, estranho. Eu nunca tinha dito “por favor” para Lily. Ela sabia que algo estava diferente. Me encolhi rapidamente tentando esconder minha primeira ereção e minha vergonha.
– Hum... Está bem. Vou chamar a Madame para ela ver como você está.
– Lily... Como eu vim parar aqui, em casa?
Lily ia começar a falar e de repente emudeceu. Ela fez uma cara estranha. Olhou para os lados. Parecia desorientada.
– Adi, eu não lembro. Estranho, não? Vou chamar a Madame.
Enquanto ela saía, eu me virei para janela do quarto.
Gritei. Havia uma sombra no vidro e os mesmos olhos de fogo que eu já tinha visto. Esfreguei os olhos e olhei novamente para janela. Não havia nada lá. Isso tudo era só o começo.
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quarta-feira, 13 de agosto de 2008
quinta-feira, 3 de abril de 2008
Do pó ao pó
O ambiente obscuro e sinistro dessa casa me trazia lembranças. Memórias de um tempo a muito tempo esquecido. Uma pequena fração de mim se perde em devaneios, ficando esquecida junto ao pó das minhas recordações. Eu me deixo perder, calmo, tranqüilo. Enfim...
- Droga! Porra! Seu pedaço de merda! Acorda! Vai! ACORDA.
- O sangue não é forte o suficiente, Dorotya. Ele já era.
- Maldito! Maldito seja você!
Eu sinto ela chutar meu corpo. Eu estou no presente agora. Mas meu presente é somente o meu fim. Minha única chance talvez seja o começo. Sim... Eu lembro.
*********************************************
- Lesalle! Menino bobo... Lesalle! Ele vai ver só...
Eu fico olhando Lily a empregada nos procurando. Damos risinhos baixos e fazemos “ssshhh” com o dedo em riste perpendicular a boca um para o outro. Eu e Mark adorávamos fazer isso o dia todo com Lily. O interessante é que Lily não era muito mais velha do que eu e Mark. Mas éramos muito novos ainda. Nessa época, era só brincar o tempo todo.
A casa enorme dos pais de Mark era em um estilo vitoriano clássico, escura, sombria. Seu número infindável de cômodos era uma terra que constantemente era explorada por nós. Vivíamos fantasiando sobre savanas, faroeste, lutas em dunas desérticas e, claro, brincávamos de esconder com Lily. A eletricidade e o uso de lâmpadas dentro da casa era uma extravagância para qualquer um naquela época. Algo realmente digno do status que a família Hagen ostentava. Eram as pessoas mais ricas, milionárias, que viviam em Paris. E meus pais adoravam que eu passasse a maior parte do tempo junto a eles, na casa de Mark. Não porque eu tinha um amigo. Mas porque eles eram ricos. Nessa época eu sequer imaginava o que o pai de Mark fazia. Tudo que me importava era me esconder de Lily.
- Vai Adi! Pra biblioteca, vai corre!
- Que que você vai fazer Mark?
- Vou gritar bem alto!
- Quê?
Mark respira fundo e grita: - Lily boboca, come casca de ferida!
- Mark! Ela vai nos matar agora! Corre! Corre!
Não sabia se corríamos mais ou se ríamos mais. Era um riso nervoso, misturado ao medo de ser capturado pelo inimigo feminino: Lily.
Contudo, entramos na biblioteca em silêncio para não atrair a atenção de Lily. Pé ante pé fomos entrando. Nesse instante nos deparamos com o Pai de Mark sentado na sua cadeira, de costas para nós. Na mesa ao lado da cadeira, um copo de uísque e um cachimbo. Eu fiz menção de ir olhar o cachimbo. Antes que eu pudesse me mexer, ouvi um forte estampido e de tão assustado, dei um grito. Um pedaço da cabeça do Pai de Mark acabou indo parar no rosto de Mark. Recebemos uma fina chuva de sangue no corpo. Alguns livros ficaram manchados para sempre. A Ilha do Tesouro é um deles. O tapete de um tom verde musgo passa a ser negro e pegajoso. Finalmente uma poça de sangue alcança nossos pés.
Lily entra na biblioteca e começa a gritar. Eu parecia não escutar mais nada. Num ato ainda mais estranho, Mark pega na minha mão e vamos até a parte da frente da cadeira. O corpo do pai de Mark jaz cortado, eviscerado. O que restou da cabeça estava pendurado como um toco de árvore velha, jazendo na poltrona. Nunca entendi o que Mark queria ver ali.
Ficamos ali parados não sei por quanto tempo. Não conseguimos dizer nada. Depois dali ficamos quase 1 mês sem dizer palavra qualquer. Os policiais não conseguiram explicar como alguém podia ter eviscerado a si próprio e ainda ter se matado.
Naquele dia, antes de sair da biblioteca, jurei ter visto olhos de fogo por trás da cortina. Uma presença horrenda estava lá dentro e só eu senti. Um cheiro forte de carne podre empesteava o ar. Eu tinha sido levado as portas do inferno pela primeira vez.
Continua...
- Droga! Porra! Seu pedaço de merda! Acorda! Vai! ACORDA.
- O sangue não é forte o suficiente, Dorotya. Ele já era.
- Maldito! Maldito seja você!
Eu sinto ela chutar meu corpo. Eu estou no presente agora. Mas meu presente é somente o meu fim. Minha única chance talvez seja o começo. Sim... Eu lembro.
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- Lesalle! Menino bobo... Lesalle! Ele vai ver só...
Eu fico olhando Lily a empregada nos procurando. Damos risinhos baixos e fazemos “ssshhh” com o dedo em riste perpendicular a boca um para o outro. Eu e Mark adorávamos fazer isso o dia todo com Lily. O interessante é que Lily não era muito mais velha do que eu e Mark. Mas éramos muito novos ainda. Nessa época, era só brincar o tempo todo.
A casa enorme dos pais de Mark era em um estilo vitoriano clássico, escura, sombria. Seu número infindável de cômodos era uma terra que constantemente era explorada por nós. Vivíamos fantasiando sobre savanas, faroeste, lutas em dunas desérticas e, claro, brincávamos de esconder com Lily. A eletricidade e o uso de lâmpadas dentro da casa era uma extravagância para qualquer um naquela época. Algo realmente digno do status que a família Hagen ostentava. Eram as pessoas mais ricas, milionárias, que viviam em Paris. E meus pais adoravam que eu passasse a maior parte do tempo junto a eles, na casa de Mark. Não porque eu tinha um amigo. Mas porque eles eram ricos. Nessa época eu sequer imaginava o que o pai de Mark fazia. Tudo que me importava era me esconder de Lily.
- Vai Adi! Pra biblioteca, vai corre!
- Que que você vai fazer Mark?
- Vou gritar bem alto!
- Quê?
Mark respira fundo e grita: - Lily boboca, come casca de ferida!
- Mark! Ela vai nos matar agora! Corre! Corre!
Não sabia se corríamos mais ou se ríamos mais. Era um riso nervoso, misturado ao medo de ser capturado pelo inimigo feminino: Lily.
Contudo, entramos na biblioteca em silêncio para não atrair a atenção de Lily. Pé ante pé fomos entrando. Nesse instante nos deparamos com o Pai de Mark sentado na sua cadeira, de costas para nós. Na mesa ao lado da cadeira, um copo de uísque e um cachimbo. Eu fiz menção de ir olhar o cachimbo. Antes que eu pudesse me mexer, ouvi um forte estampido e de tão assustado, dei um grito. Um pedaço da cabeça do Pai de Mark acabou indo parar no rosto de Mark. Recebemos uma fina chuva de sangue no corpo. Alguns livros ficaram manchados para sempre. A Ilha do Tesouro é um deles. O tapete de um tom verde musgo passa a ser negro e pegajoso. Finalmente uma poça de sangue alcança nossos pés.
Lily entra na biblioteca e começa a gritar. Eu parecia não escutar mais nada. Num ato ainda mais estranho, Mark pega na minha mão e vamos até a parte da frente da cadeira. O corpo do pai de Mark jaz cortado, eviscerado. O que restou da cabeça estava pendurado como um toco de árvore velha, jazendo na poltrona. Nunca entendi o que Mark queria ver ali.
Ficamos ali parados não sei por quanto tempo. Não conseguimos dizer nada. Depois dali ficamos quase 1 mês sem dizer palavra qualquer. Os policiais não conseguiram explicar como alguém podia ter eviscerado a si próprio e ainda ter se matado.
Naquele dia, antes de sair da biblioteca, jurei ter visto olhos de fogo por trás da cortina. Uma presença horrenda estava lá dentro e só eu senti. Um cheiro forte de carne podre empesteava o ar. Eu tinha sido levado as portas do inferno pela primeira vez.
Continua...
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